Quantos jogadores de futebol profissional tem no Brasil?

Quantos jogadores de futebol profissional tem no Brasil?

Victoria Victoria 25 nov 2019

No Brasil, o caminho para a glória numa Copa do Mundo dificilmente começa em grandes clubes de futebol ou escolas particulares. Muitas vezes começa em lugares como um bairro pobre na periferia de uma das grandes metrópoles brasileiras, onde há um terreno baldio e um grupo de crianças joga futebol, muitas vezes descalças e às vezes até sem uma bola de verdade. No Brasil, todo trecho aberto de grama ou pátio de concreto é um campo potencial de sonhos em que as crianças brincam com o que têm à mão – ou os pés.

No museu de futebol de São Paulo, há até uma exposição dedicada à variedade de bolas improvisadas usadas pelo país – a cabeça de uma boneca, uma bola feita de fita enrolada ou meias apertadas. Se for redondo (ou quase) e der para chutar, pode ser utilizado com “bola”.

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A ilusão do futebol profissional

As histórias de jogadores famosos que foram da pobreza à riqueza por conta do futebol vivem na imaginação popular e alimentam os sonhos de fama e glória não apenas das crianças, mas também de seus pais. Ser um jogador de futebol profissional no Brasil costumava ser visto como algo aspiracional, como uma oportunidade de melhorar de vida. Porém, com os acordos de TV, carreiras internacionais e salários de milhões de dólares de muitos jogadores brasileiros, a classe média e alta também quer entrar nesse jogo.

Se no passado o recrutamento era mais aleatório e amador, hoje em dia ele é visto como um mercado. diferentemente do que acontece com o basquete americano, por exemplo, não existe um sistema escolar que permita que você se torne um atleta profissional por meio de equipes do ensino médio e da faculdade. Aqui são os clubes de futebol que fazem todo o trabalho.

A “Peneira” de Triagem

Um dos clubes mais famosos do Brasil é o Palmeiras. Para chegar ao campo de treinamento do time de futebol da primeira divisão do Palmeiras, é preciso percorrer uma estrada de terra irregular nos arredores de São Paulo. Toda semana, crianças de 11 e 12 anos de idade têm seus nomes chamados enquanto aguardam nervosamente para serem julgadas durante um teste de três dias. Todos os principais times de futebol do Brasil realizam esses eventos semanais, e as crianças avaliadas estão ficando cada vez mais jovens. O Palmeiras costumava levar apenas meninos com mais de 15 anos – agora está olhando para crianças a partir dos 8 anos.

As cerca de 30 crianças avaliadas semanalmente passam por exercícios básicos sob o olhar atento de dois recrutadores. Apenas 25 a 30 serão escolhidos dentre os milhares de todas as faixas etárias avaliadas. Uma vez inscritos, são treinados e, eventualmente, se permanecerem promissores, serão contratados para jogar no Palmeiras ou vendidos para outro clube de futebol por um lucro saudável. Enquanto isso, depois de completar 15 anos, são alojados, educados e alimentados.

Realidade Salarial

O objetivo de todas essas crianças é viver do futebol, apesar de serem apenas os jogadores de elite que ganham grandes salários. A maioria dos jogadores profissionais aqui, especialmente nas cidades menores, recebe R$1000,00 (mil) por mês, na melhor das hipóteses.

“Não é apenas o dinheiro” – justifica uma das mães acompanhando seu filho de pouco mais de dez anos. “Isso os ajuda a sair das ruas, onde há drogas e violência, para tentar algo melhor”.

A Vida no Exterior

Dos milhões de brasileiros que atualmente vivem no exterior, quase 5 mil jogam futebol nos principais clubes do mundo. De todas as “exportações” e emigrações atualmente em andamento, a de jogadores de futebol tem o maior impacto simbólico, no Brasil e no exterior. Como a fuga de cérebros resultante da emigração de cientistas, isso pode ser enquadrado como um exemplo de “pés fugazes”.

Um recente estudo fez uma análise dos planos, consumo e o estilo de vida desses jogadores com base em dados etnográficos coletados em Sevilha, Espanha e Eindhoven, Holanda, bem como através de conversas com mais de 40 jogadores brasileiros vivendo ou tentando morar em países estrangeiros.

Esses contatos ocorreram em Toronto, Canadá; Almelo, Groningen, Alkmaar, Roterdã e Amsterdã na Holanda, Tóquio, Japão; Lyon, Le Mans, Nancy e Lille na França, Mônaco; Charleroi, Bélgica; e em Fortaleza, Salvador e Belém, Brasil. Foram analisadas as interseções de idade, origem social e religião e observou-se que muitos dos jogadores eram os irmãos mais novos de suas famílias. A grande maioria é de baixa renda e frequenta igrejas evangélicas. Também descobriu-se que esses atletas imigrantes são cada vez mais jovens.

Concluiu-se que a constante mudança de empregador (clube), países e o grande número de “repatriados” caracterizam esse movimento migratório como uma circulação. É o que os jogadores chamam de “rodar”, lançado positivamente como uma oportunidade para acumular experiência. Essa circulação ocorre em zonas protegidas, onde um nacionalismo banal é constantemente ativado. Mesmo depois de obter a cidadania legal, eles continuam sendo vistos e percebidos como estrangeiros. Nesse caso, portanto, a nacionalização tem um objetivo estratégico

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Quantos Jogadores de Futebol Profissional Tem no Brasil?

Atualmente, existem cerca de 2 milhões de jogadores de futebol registrados, incluindo ligas não profissionais. Se incluirmos apenas competições oficiais da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), teremos 30.000 jogadores profissionais.

A maioria deles joga em clubes pequenos. Segundo a CBF, 84% desses 30.000 ganham menos de 500 dólares por mês e apenas 2% ganham mais de 6.000 dólares por mês. Para a maioria dos jogadores, a realidade não é muito clara e as perspectivas de carreira não são boas. A maioria dos jogadores brasileiros fora das principais competições e clubes se aposenta aos 20 anos para se concentrar em outros empregos.

O engraçado é que o Brasil não tem tantos clubes de futebol quanto a Inglaterra ou tantos jogadores registrados quanto a Alemanha, ainda que nossa população seja muito maior.

Jogadores de futebol brasileiros são como jogadores de basquete americanos – não importa onde no mundo exista um time de futebol profissional, é provável que haja um brasileiro jogando por ele. Os salários dos jogadores no Brasil variam das ligas mais baixas aos jogadores mais bem pagos do mundo.

No fim das contas, o sonho de ser o novo Neymar não é tão distante como o sonho de ser o novo Mark Zuckerberg ou o novo Abilio Diniz – a probabilidade é muito baixa. Porém, como conhecemos muito mais histórias de atletas que sairam da pobreza para se tornarem milionários do que histórias de empresários que tiveram a mesma origem, a ideia se torna muito mais palpável.

Além disso, o brasileiro aprende a jogar futebol desde pequeno, mas educação de qualidade e boas oportunidades profissionais ainda são praticamente uma exclusividade da elite do país.

Tem algum comentário sobre esse tema? Conta pra gente aqui embaixo!

Obrigado pela leitura, e até o próximo post!

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